Julieta Hernández | Foto: Reprodução Instagram

Julieta Inês Hernández Martínez foi estuprada e assassinada em nosso pais.  A artista venezuelana que integrava o grupo de mulheres artistas e cicloviajantes Pé Vermei percorria o Brasil de bicicleta desde 2015 e teve interrompida a sua jornada no estado do Amazonas quando retornava para seu pais. A palhaça miss Jujuba que participava de um grupo de mulheres circenses que se denominava Circo di Soladies não mais vai despertar o sorriso, expressar a alegria e empatia de quem gosta de gente. Julieta Hernández era muitas coisas. Sair nesse mundão sozinha pedalando significava gostar de ciclismo, mas principalmente ir atrás de um sonho.  E a cada encontro com pessoas e culturas ela se revigorava, ela enriquecia a sua jornada e ia assumindo tudo que lhe fazia bem como é o caso de ser a palhaça de rua Miss Jujuba ou a fazedora de bonecas ou a realizadora de oficinas de arte.

Eu me emocionei especialmente com o fato. Temos o mesmo nome, mas a minha emoção tem a ver com o que ela representa sobre a busca de realização de nós mulheres que não pode ser limitada. Não nos pode ser subtraído o direito de andar ou pedalar sozinha, de ir e vir, e encarar os desafios autonomamente para concretizar nossos sonhos e objetivos na vida e, principalmente ter objetivos, não pode nos ser subtraído por uma sociedade patriarcal que nos destina um lugar social de subalternidade e de dependência dos homens. Andar sozinha tem a ver com ela ter sido estuprada e assassinada?  A maioria dos feminicídios no Brasil são fruto de violência doméstica e familiar. É no domicilio que as brasileiras estão mais vulneráveis, local aonde teoricamente as mulheres deveriam estar mais “protegidas’’. Mas e se formos nos restringir a ficar somente em ambientes tidos como seguros? Que existência será essa? Uma existência de restrição e de medo. De fato, Julieta Hernandez foi estuprada e assassinada não por ser uma artista nômade, como ela se denominava, e percorrer o país pedalando sozinha, mas por ser mulher. É a sociedade patriarcal que precisa mudar e que nos ameaça a vida. Por ora, que se faça justiça.

Em declaração sobre o assassinato de Julieta Hernández, o Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), que a encontrou pela primeira vez na rodoviária de Picos /Piaui, expressou o desejo de todas nós: Que a Floresta Amazônica possa ecoar o riso, a alegria e a liberdade de toda mulher que se sonha livre. E a Palhaça Rubra divulgou d“Uma Canção Para Julieta Hernandez ” que num trecho diz: Sonha, sonha. Somos sonho dela. E ela sonha. Sonhar é a nossa. Vida dela será nossa… a sonhar.. Julieta está!

Há de chegar o dia em que nós mulheres possamos ter vida plena e equidade de gênero!

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Por Julieta Palmeira

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