Foto: Richard Silva/PCdoB na Câmara

Lideranças ligadas à União Brasileira de Mulheres (UBM) circulam pelos gabinetes dos parlamentares e líderes solicitando a aprovação do projeto

Por Iram Alfaia

O movimento de mulheres pressiona parlamentares na Câmara dos Deputados a fim de conseguir levar a votação para o plenário, durante o esforço concentrado, o PL da Misoginia, que equipara o ódio ou a aversão contra as mulheres ao crime de racismo.

Lideranças ligadas à União Brasileira de Mulheres (UBM) circulam pelos gabinetes dos parlamentares e líderes solicitando a aprovação do projeto.

A líder do PCdoB na Casa, deputada Jandira Feghali (RJ), disse que não se trata de uma tarefa fácil.

“Há uma nota da bancada evangélica contra a aprovação do projeto, em cima de argumentos completamente inexistentes, o projeto não trata de leitura da Bíblia, liberdade de expressão ou liberdade de culto”, explica a parlamentar.

Ela diz que o PL da Misoginia trata somente da incitação por ódio à aversão às mulheres, a violência e ao feminicídio.

“E há também parte de bancadas católicas e da extrema direita que também não querem votar. Nós estamos trabalhando para que ocorra a votação, para ver se a gente consegue trazer ao plenário. Não precisamos de unanimidade, só precisamos de maioria”, diz a deputada.

A presidente da União Brasileira de Mulheres do Distrito Federal (UBM-DF), Maria das Neves Filha, lembra que quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil, a maioria mulheres negras.

“Misoginia mata! Precisamos com urgência votar o PL 996/2023. Não podemos esperar o fim das eleições para a vida das mulheres serem prioridade. O voto feminino será decisivo nessas eleições. E votaremos em quem defende as nossas vidas. Estamos aqui na Câmara mobilizadas. Vota Motta!”, disse Maria.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), avaliou que a falta de consenso dificulta a entrada em pauta do projeto.

“Sabemos que os atos mais graves não começam com atos graves, mas com atos menores que vão sendo flexibilizados e admitidos, e isso acaba sendo uma permissão para os atos mais graves, como homicídios”, afirma.

Para ele, o projeto da misoginia é prioridade. “Não compactuamos com nenhuma violência, mas não posso cravar porque depende da deliberação do colégio de líderes. A bancada evangélica está negociando o texto com a relatora Tabata Amaral (PSB-SP)”, informa.

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